Uma breve história do tempo

30 07 2008

URGENTE x IMPORTANTE


(O título deste artigo foi inspirado na obra do físico Stephen Hawking, aquele que está sentado na cadeira que já foi de Newton.)

Um dos assuntos mais instigantes com que estamos ligados em caráter permanente é o tempo. Costumamos repetir, com freqüência, aquelas frases clássicas, como: “isso é do nosso tempo, ou “o tempo se encarrega de resolver”. Mais: “tenho que aproveitar bem o tempo, pois ele é limitado” ou “não podemos parar no tempo”. Não há quem deixe de se espantar com a velocidade com que o tempo passa. Também não há quem não se preocupe ocasionalmente com organizar melhor sua agenda, com a finalidade de criar condições para fazer tudo o que deve ser feito, inclusive aquelas coisas comumente adiadas, como “achar” tempo para fazer ginástica ou estudar espanhol.

Mas será que é possível simplesmente “achar” tempo, como se fosse um objeto que estava perdido no meio da bagunça? Será que é possível dar vida e corpo ao tempo, e transformá-lo em um amigo e um aliado, ao invés de lutar contra ele? Pois bem, essas não são questões apenas filosóficas, e sim preocupações práticas e pertinentes. Especialmente para quem está no pleno exercício de sua atividade profissional. Há pelo menos duas percepções que temos que desenvolver a respeito do tempo. Elas podem parecer simples demais, mas fazem a grande diferença.

A primeira é a de que o tempo é o único patrimônio que não podemos recuperar. Se você perder dinheiro, pode ganhar novamente, se perder um objeto, pode comprar de novo. Até a saúde, perdemos e recuperamos, na maioria das vezes. Perdeu a namorada, ou namorado, arruma outra ou outro… e com certeza muito melhor, não é mesmo? Essa visão pragmática vale para tudo, menos para o tempo. Passou, acabou. Perdeu, não recupera. Quando o escritor francês Marcel Proust escreveu sua obra-prima “Em busca do tempo perdido”, referiu-se justamente à angústia das pessoas ao perceberem que isso não é possível. Portanto, a lógica é: aproveitemos os nossos minutos, pois eles são únicos. Lembra do Lulu Santos? “Não adianta fingir, nem mentir pra si mesmo… Há tanta vida lá fora, e aqui dentro sempre (igual)…”.

A segunda percepção parece ser ainda mais simples, mas não é: o tempo passa, e com ele passam os sentimentos gerados por ele mesmo. Como assim? Às vezes, você sofre imensamente com algum fato negativo de sua vida e tem a impressão que vai sofrer para sempre, não é mesmo? Depois de algum tempo, esse acontecimento transforma-se em uma leve lembrança. Você sabia que um neném de colo chora quando está com fome, não porque está com fome, e sim porque pensa que vai ficar com fome para sempre? E sabe por quê? Porque ele simplesmente não conhece o tempo. E muitos de nós somos nenéns emocionais a vida inteira. Cuidado!

Você certamente deve saber que o físico alemão Albert Einstein pesquisou e discorreu sobre o tempo. Graças às suas observações, a ciência física nunca mais foi a mesma. De acordo com ele, duas pessoas dotadas de velocidades diferentes apresentarão diferentes reações em relação ao tempo.

A mais rápida usa melhor o tempo, e envelhece menos. Isso pode ser explicado pelo paradoxo dos gêmeos. Enquanto um fica na Terra o outro dá uma volta pelo Universo à velocidade da luz. Ao retornar do espaço, o viajante descobre que seu irmão envelheceu mais que ele. Na vida prática esse paradoxo é ainda mais interessante, pois quanto mais dinâmica tem nossa vida, parece que o tempo passa mais depressa, mas nós envelhecemos menos, pois produzimos mais, em um intervalo menor de tempo. Fantástico, não?

E no dia a dia? O que fazer com relação a esse produto chamado tempo, que parece que sempre está em falta? Simples: tenha uma agenda. E não só tenha, use. E não só use, use bem. A primeira regra a ser observada é a de que a agenda não escraviza, como muitas pessoas pensam. Ao contrário, ela liberta! Entrega de volta a você sua própria vida, pois lhe dá o controle, uma vez que é você quem a cria. Experimente ter duas agendas. A dos compromissos agendados, e outra, a ser preenchida no final de cada dia, contendo os tempos gastos na realização de cada uma das tarefas que você considera importantes. Isso permite computar, ao longo de uma semana e de um mês, qual foi o investimento de tempo em produção, rotina, contatos, desenvolvimento pessoal, ginástica, e até as coisas desagradáveis como trânsito e reuniões improdutivas. O resultado é uma bela visão do panorama geral. Um mapa do tempo. E a conseqüência poderá ser a correção dos rumos. Adoção de medidas preventivas para evitar a perda de tempo com atividades menos importantes e de uma postura mais equilibrada e mais firme quanto à racionalização do uso do tempo.

Outro exercício interessante é o de colocar as atividades diárias em um dos quatro quadrantes construídos pelas quatro grandezas a seguir: importante e não importante; urgente e não urgente:

NÃO URGENTE IMPORTANTE

NÃO URGENTE NÃO IMPORTANTE

URGENTE IMPORTANTE

URGENTE NÃO IMPORTANTE


O ideal é você se concentrar mais no quadrante importante-não urgente, pois ele evita o stress e, quando o importante virar urgente, já está feito. Cuidado com o quadrante importante-urgente, pois além do nível de stress que ele provoca, causa escapes involuntários para os quadrantes do não importante, como uma medida inconsciente de preservação do equilíbrio mental. Tente ficar nele pouco tempo.

Em síntese, cuide do seu tempo. Você estará cuidando de você mesmo. É uma atitude de auto-respeito, que gera o respeito dos demais. Lembre-se de Zeus, que se tornou o deus mais poderoso do Olimpo só depois que controlou Chronos, o deus do tempo, aquele que tinha o hábito de comer os próprios filhos.





O Vinil Nosso de Cada Dia

25 07 2008

O Vinil Nosso de Cada Dia

Alguém aí perguntou “que vinil”? Estou falando do disco de vinil mesmo, aquele bolachão preto também chamado (pelas nossas vovós) de long-play, ou LP, o bom e velho LP do povo. Ele escapou da morte anunciada e completou 50 anos em novembro de 1998. Ah, por quê decretar o fim do disco de vinil? Ceifaram-lhe a vida antes mesmo de entrar na menopausa.
Mas esse tom melodramático adotado por mim não precisa ser levado mais adiante, já que o vinil parece estar ressurgindo das cinzas, talvez um pouco mais timidamente que a Fênix…
Os famosos “bolachões” não desapareceram, como muitos pensam. Só não estão tão à vista como antes. Uma das vantagens é que grande parte deles pode ser adquirida por um precinho camarada.
Bem, o que importa é que o dito cujo está voltando aos poucos, pelo menos lá fora. Dado como morto pela indústria, banido das lojas (que pecado!) e há até pouco tempo apenas um traço nos índices de consumo musical, o vinil girou, girou e deu a volta por cima. Agora, após completar 50 anos de vida, ele sobrevive nas prateleiras de colecionadores ao redor do mundo.
Salvo da morte principalmente pelas mãos dos DJs, o vinil ainda respira e fez aniversário com estilo. Ao mesmo tempo em que foi assunto de capa da edição de outubro do ano passado da revista inglesa “Muzik”, viu suas vendas crescerem na Europa (Inglaterra, em especial) pela primeira vez em dez anos, enquanto o CD, seu maior algoz, tem seus índices estacionados. Nada mal para um ícone musical de tempos passados que já estava se transformando em peça de museu.
Muitos artistas famosos ainda não tiveram seus trabalhos editados no sistema digital. A saída? Novamente ele, o vinil.
Nascido em novembro de 1948 (seu criador foi Peter Goldmark), o disco de vinil acompanhou praticamente todos os grandes momentos da música pop – o surgimento dos Beatles, o fogo de Jimi Hendrix, a poesia de Bob Dylan, a contracultura, o psicodelismo, o punk rock, a discothèque, etc. Mas com a chegada do CD (compact disc) nos anos 80, e sua posterior popularidade, ele foi sendo deixado de lado gradativamente.
Para a indústria do disco, era assim que tinha que ser: o CD era mais prático, ocupava menos espaço, tinha uma excelente qualidade de reprodução, possibilitava um armazenamento maior de músicas e – a gota d’água – não arranhava!
Num piscar de olhos, o vinil foi sendo empurrado para o canto das lojas e depois erradicado totalmente delas. Grandes cadeias, aqui e lá fora, simplesmente deixaram de comprar discos de vinil. No Brasil o “holocausto” do vinil não foi tão rápido quanto no exterior. Mas embora tardiamente (?), aconteceu. Parecia o fim. Porém nem todas as pessoas se conformaram com essa morte anunciada.
E foram os DJs (disc-jockeys) e o público que os segue, os principais responsáveis pela salvação do vinil. (Não esqueçamos também os colecionadores de plantão e amantes do LP, como eu aqui). Com a chegada da acid house e a revolução eletrônica, com estúdios caseiros e selos independentes pipocando por toda a parte, o vinil ganhou força novamente.
A crise cambial brasileira, entre outras tragédias, dificultou o consumo de CDs importados. O produto nacional foi no embalo e aumentou mais um pouquinho; mais um ponto a favor do vinil: tornou-se uma ótima opção para quem tem sede de comprar e conhecer discos, mas não pode pagar o alto preço dos CDs. (Faça as contas comigo e constate: com R$ 20, preço médio de um CD, você pode comprar quatro LPs usados em bom estado, por R$ 5 cada – ou até dez LPs, dependendo da oferta. Tem pra todos os gostos).
Para Ben Willmot, da “Muzik”, o CD, conveniente e facilmente digerível, virou “o McDonald’s dos formatos musicais”. O vinil, não. Com DJs tocando white labels (discos sem selos, de prensagem limitada), o vinil ganhou ares revolucionários, subversivos até. Renascido lá fora, o disco de vinil ainda busca forças no Brasil, onde selos independentes – que poderiam ser seu principal sustentáculo – sofrem para se manter.
“Apesar do charme, o vinil não vende mais no Brasil, o que é uma pena”, diz Manolo Camero, presidente da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos). Mas isso não impede que as coisas mudem. O vinil pode voltar, não como em seus áureos tempos de glória, admitamos, mas direcionado apenas para os colecionadores e DJs. Nas grandes cidades (principalmente Rio e São Paulo), ainda se encontra muita coisa em vinil, em sebos e lojas especializadas.
“O vinil é uma coisa real” – diz o DJ Marky Mark – “Você pega, sente, tem contato direto. É como uma mulher”.

Fonte:
Rio Fanzine
Revista ShowBizz





Organizar músicas digitais exige boa dedicação

25 07 2008

Organizar músicas digitais exige boa dedicação

EMERSON KIMURA
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Arrumar sua coleção musical armazenada no computador é trabalhoso e exige dedicação. Mas, com paciência, vai. O ideal é trabalhar com dois níveis organizacionais: 1) arquivos e pastas; 2) metadados.

Arquivos e pastas

Dedique uma pasta para armazenar seus arquivos e monte uma estrutura padronizada de pastas e arquivos.
Um padrão muito utilizado é \Nome do artista\Ano de lançamento – Nome do álbum\Nº da faixa – Nome da canção.

Nesse caso, o primeiro nível de diretório são pastas com nomes de artistas; dentro delas, há subpastas para cada álbum (o ano do lançamento ordena-as cronologicamente), que armazenam arquivos com as canções do disco (o número das faixas ajuda na ordenação).

Um exemplo de caminho completo é \Bob Dylan1965 – Highway 61 Revisited 01 – Like a Rolling Stone.mp3.

Outras idéias incluem pastas com a letra inicial (\Inicial\Artista…) ou o gênero (\Gênero\Artista…). No caso de álbuns com vários discos, vale abrir uma pasta com essa informação (\Artista\Ano – Álbum\Nº do disco…).

Álbuns de vários intérpretes devem ser guardados em outra estrutura, como \[VA]Álbum – Ano\Nº – Artista – Canção.

Metadados

Metadados (em inglês, metadata) são, basicamente, dados a respeito de dados. No caso de arquivos de áudio, podem guardar informações como artista, álbum, imagem da capa, gênero musical, compositor. É por meio dos metadados que muitos tocadores organizam e apresentam as músicas.

Vários programas possuem funções avançadas de edição de metadados e permitem puxar dados automaticamente de bancos como o freedb (freedb.org) ou de sites como a Amazon (amazon.com), o que economiza digitação. Buscas manuais podem ser feitas também em allmusic.com, discogs.com, musicbrainz.org, rateyourmusic.com, wikipedia.org e www.cliquemusic.com.br.

Há também sites especializados em imagens de capas de discos, como albumart.org, covertarget.com, www.covrlovr.com, allcdcovers.com e cover-paradies.to.

Evite duplicações como “The Who” e “Who, The” ou “Emerson, Lake & Palmer” e “Emerson, Lake and Palmer”. Por fim, softwares como o MP3 Gain (mp3gain.sourceforge.net) fazem uma normalização que deixa arquivos com níveis parecidos de volume.





DEZ MITOS DA INTERNET

22 07 2008

DEZ MITOS DA INTERNET

Os computadores e as redes de informação chegaram para ficar. Esses mecanismos trouxeram ganhos para os negócios, para a educação e para a vida privada, mas os benefícios -e problemas- ainda por vir estão seguramente além de nossa imaginação. Mesmo assim, poucos avanços em nossa cultura desfrutaram tanta isenção de análise lógica como a loucura pela Internet. Apesar de sinais claros de que a rede mundial de computadores não sobreviverá como uma estrutura monolítica de informação, a moda continua como uma força indomável a devorar tudo em seu caminho [este artigo foi publicado em julho/agosto de 1998].

A confluência de propagandistas da “teologia Internet”, também conhecidos como “conspiração minha-nossa!” (“Gee-Whiz”, no original), vem obtendo notável sucesso ao vender suas idéias para jornalistas, personalidades políticas e grande parte do público. Essa “teologia”, no entanto, está equivocada na essência, distorcida por filtros do pensamento tecnológico e dos valores da classe média alta. Além disso, ignora uma visão mais ampla de cultura, necessidades humanas e necessidades empresariais.

A maioria dos benefícios atribuídos à atual estrutura da Internet por esse grupo de pessoas provavelmente não se concretizará. Há pelo menos dez mitos sobre a rede mundial de computadores que são amplamente aceitos, mas que não se confirmam na prática.

OS DEZ MITOS

Mito nº 1: todos estão usando a Internet. Os propagandistas da rede reivindicam uma população on-line de 40 milhões ou mais de pessoas. Não acredito nem por um segundo nesse número. Sem comprovação, é difícil validar qualquer alegação do gênero, embora a maioria das pessoas pareça aceitá-la sem questionamento. Isso inclui apenas as contas ativas da Internet ou todas as pessoas que possivelmente estariam conectadas? Qualquer um com um microcomputador e um modem? A família toda, se houver um micro na casa? E que padrão de atividade define um usuário? Diário? Semanal? Mensal? Uma vez na vida? Até Andrew Grove, presidente da Intel e respeitado guru da revolução digital, reconheceu que se conecta à Internet “talvez duas horas por mês”. A cobertura jornalística passa a impressão de que todo adolescente dos Estados Unidos navega pela rede. E estamos ainda longe disso.

Mito nº 2: o número de usuários crescerá sem limites. Esse é um caso claro de projeção prematura. É a mesma psicologia que impulsionou todas as ondas imobiliárias, as euforias dos mercados de ações e loucuras históricas como o “Surto das Tulipas” da Holanda da década de 1630 (veja quadro na pág. 100 com glossário) ou o “O Conto do Mar do Sul”, no Reino Unido de 1720. Nada deve ser elevado aos céus, e quem não entende o Princípio da Curva S acaba aprendendo na prática.

Mito nº 3: a Internet será a “grande força democratizante”. Na verdade, ela pode ter efeito exatamente oposto. Ela pode aumentar a disparidade entre os que têm e os que não têm. Apesar dos comerciais politicamente corretos que mostram uma encantadora menininha negra na África se conectando à Internet, os pobres e os desnorteados não serão alçados de suas circunstâncias econômicas pelo computador ou pela Web. Eles estão presos a um paradigma muito diferente. A visão da classe média alta de que tudo que é preciso fazer é “dar-lhes computadores” cheira novamente a Grande Sociedade. É o equivalente cibernético de “que comam brioches”.

Mito nº 4: a Internet é uma comunidade mundial.Um famoso pôster do personagem de quadrinhos Dilbert pergunta: “E se Deus for a consciência que se criará quando um número suficiente de pessoas estiver conectado à Internet?”. Esse é um pensamento fanático da mais alta perversidade e passa por todos os testes de admissão à mentalidade dos cultos religiosos. Aí está uma demonstração perturbadora da visão mundial narcisista e auto-adulatória dos que se consideram iluminados, uma irmandade especial detentora de segredos não acessíveis aos comuns dos mortais. À medida que a Internet começar a se “desconstruir” e seus clientes mais prezados forem para outro lugar na inevitável busca da qualidade, a única “comunidade” restante será a dos pervertidos, pornografistas, pedófilos, cafetões, piratas e uma miscelânea de desnorteados e descontentes.

Mito nº 5: a rede mundial revolucionará o marketing. Nem que a vaca tussa. Esse é o mais sagrado dos cânones da “teologia Internet” e é também o menos provável de se concretizar. Na maioria, os que vendem coisas online são pessoas da Internet negociando umas com as outras. Com poucas exceções, o marketing das homepages, o marketing de mala direta em massa e as compras on-line são – e continuarão sendo – uma grande sonolência. Muitas das grandes empresas encaram sua página corporativa na Internet como um modismo ligeiramente mais sofisticado.

Mito nº 6: a Internet eliminará os intermediários. Presumivelmente cada uma dos 40 milhões, 50 milhões ou 100 milhões de pessoas na Internet pode fazer negócios diretamente com cada uma das outras. Se você quiser vender seu carro, basta mandar uns 10 mil anúncios por correio eletrônico e os interessados irão até sua página na Web. Isso pode até funcionar em uma população ao redor de mil pessoas. Mas com milhões de usuários o engarrafamento de informações ainda fará do classificado de US$ 5 no jornal uma opção melhor. Esse mito é um exemplo típico da aplicação do pensamento da “Segunda Onda”, ou seja, marketing de massa, em um fenômeno de “Terceira Onda”, de marketing personalizado. É como um gigantesco programa de entrevistas sem entrevistador. A vasta gama de fontes de dados da mais alta qualidade por si só aumentará a demanda por intermediários, em vez de reduzi-la.

Mito nº 7: a informação digital eliminará os livros. Uma das lojas mais conhecidas da Web é paradoxalmente uma que vende livros (a Amazon). Tais vendas estão subindo constantemente em quase todos os gêneros, e os clientes continuam transbordando nas megalivrarias. Enquanto isso, quase todos os principais editores de CD-ROM vêm acumulando prejuízos. Os clientes parecem nem ligar e isso levou as empresas a cortar investimentos nos produtos digitais não-impressos. Quais os poucos produtos de sucesso em CD? Os jogos. A Web é um meio de entrega ideal para material de contracultura de todos os tipos, como manifestos anarquistas, software pirateado e outras falsificações, além da vociferação dos descontentes que sofrem da síndrome de inadequação. As editoras comerciais fornecem exatamente o que os amadores não conseguem, ou seja, produtos de informação bem concebidos, bem produzidos e de alta qualidade que exigem talento e investimento. Os livros continuarão existindo, por razões tanto humanas como comerciais.

Mito nº 8: todos vão poder se tornar editores. Isso, infelizmente, é verdade. Contudo, apenas se definirmos “edição” em termos bastante restritos. O presidente dos Estados Unidos tem uma homepage. A Nasa idem e a Associação Americana de Amor ao Menino-Homem também. O mesmo vale para o assassino Charles Manson. E para Edgard Malvern. Você não conhece Malvern? Nem eu. A Internet está em um estágio terminal de poluição de informação exatamente porque qualquer vagabundo pode despejar suas porcarias no rio cada vez mais cheio de ciberlixo. É a Lei da Informação de Gresham, e seus efeitos já são aparentes. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que estendeu a proteção da Primeira Emenda da Constituição aos operadores de sites que divulgam material pornográfico on-line para crianças, fará mais para apressar o declínio da Internet em sua forma atual do que qualquer lei que o Congresso possa promulgar. Essa mesma “democracia” condenará a Internet ao papel de parque de diversões digital. Os sites terão toda a liberdade de expressão que quiserem e os fornecedores de produtos on-line de qualidade ficarão com todos os clientes de maior discernimento. Os especialistas universitários que construíram a Internet original estão trabalhando na “Internet 2″ para atender a suas necessidades específicas. Preste atenção também no importante papel que as bibliotecas públicas desempenharão quando a qualidade se tornar um fator decisivo. Albert Einstein uma vez comentou: “Eu aceito a alegação de que um espertinho é ‘tão bom quanto’ um gênio, mas não concordo que dois espertinhos sejam ‘melhores’ do que um gênio”.

Mito nº 9: o NetPhone acabará com as companhias telefônicas de interurbanos.
A perspectiva de ligar um microfone em seu computador e conversar com seus amigos do mundo inteiro a um custo praticamente zero é propalada por várias companhias que fabricam tais produtos. No entanto, o desempenho desses produtos está indefinidamente comprometido pela estrutura técnica da rede, e a alegada vantagem de custo parece mais uma miragem. O uso intenso da Internet será considerado abuso dos serviços telefônicos
locais. Os usuários não pagam um centavo às companhias pelo acesso. O dinheiro vai para os operadores de computador e a maioria cometeu o erro fatal de oferecer tempo on-line ilimitado por uma quantia mensal fixa. Ilimitado, para muitos viciados em Internet, significa 24 horas por dia. Muitos deles deixam o computador conectado mesmo quando saem de casa, estrangulando as linhas telefônicas de tal forma que outros clientes não podem fazer chamadas. As telefônicas locais e outras compatibilizarão o preço do serviço para recuperar seus custos. O NetPhone continuará sendo um brinquedo de fanáticos, mesmo que suas limitações técnicas sejam superadas.

Mito nº 10: o NetComputer será a próxima grande revolução. O computador da Internet, ou NetComputer, ou NetPC, será um brinquedinho de baixo preço e capacidade pequena. O usuário se conectará à rede e utilizará o software residente instalado em computadores distantes. As informações desejadas chegarão embaladas em seu respectivo programinha, que se ativa no momento da chegada, executa as funções necessárias e, então, desaparece. Esse conceito tem brechas demais para serem enumeradas rapidamente. Sua falha fatal, no entanto, é que ele é um produto político, bolado por um grupo de executivos do Vale do Silício para quebrar o domínio mundial da Microsoft no mercado de software. Seus defensores aprenderiam uma difícil lição sem muitos problemas se estudassem um produto lançado pela IBM no início da década de 80 chamado PC Junior. Era um projeto modesto, de baixo custo, que se parecia mais com um brinquedo do que com um computador. A suposição de que uma multidão estava esperando por computadores domésticos quando os preços baixassem não se confirmou. Após uma campanha publicitária fracassada que trazia um personagem de Charles Chaplin e criancinhas encantadoras, a IBM enterrou a idéia, junto com US$ 100 milhões. Destino semelhante aguarda a tão propalada Web-TV, uma tentativa de vender um produto barato que transforma a TV em um computador, ou vice-versa.

A TERRÍVEL VERDADE

A realidade nua e crua é que nem todo mundo no planeta aprecia um computador ou está delirando para “navegar na Net”. Em verdade, a maioria nem quer.





Jazz

21 07 2008

Airto Moreira
> bateria, percussão

Vivendo nos EUA desde 1967, Airto Moreira desenvolve trabalhos ligados a world music e é professor de Etnomusicologia na UCLA. Atua também como produtor e educador em diversos países. Reconhecido por produtores e maestros como o percussionista mais popular do mundo, é inegável a sua contribuição para o desenvolvimento e manutenção do alto nível da chamada worldmusic. Entre os artistas de renome mundial, com quem ele já se apresentou e gravou, estão Antonio Carlos Jobim, Miles Davis, Chick Corea, Wayne Shorter, Herbie Hancock, Stanley Clarke, Carlos Santana, Gil Evans, Gato Barbieri, Paul Simon, Quincy Jones, entre outros.

Airto Moreira nasceu, em 1941, em Itaiópolis – interior de Santa Catarina –, e viveu seus primeiros anos em Curitiba. Antes mesmo de literalmente andar com as suas próprias pernas já batucava no chão cada vez que ouvia no rádio uma música ritmada. Se isso preocupava a sua mãe, o mesmo não acontecia com a sua avó que reconheceu o seu potencial e o encorajou-o a se expressar musicalmente. Aos seis anos de idade, já recebia elogios pelo seu modo de cantar e tocar percussão. Em seguida, a emissora de rádio local lhe deu um programa que ia ao ar todas as tardes de sábado. Aos treze anos tornou-se músico profissional tocando percussão, bateria e cantando em bandas de baile. Aos dezesseis anos mudou-se para São Paulo, passando a apresentar-se regularmente em casas noturnas e programas de televisão como percussionista, baterista e cantor.

Em 1965, no Rio de Janeiro, conheceu a cantora Flora Purim. Flora foi para os Estados Unidos, em 1967, e, logo depois, Airto a seguiu. Uma vez em Nova Iorque, começou a tocar com músicos importantes como Reggie Workman, JJ Johnson, Cedar Walton e o baixista Walter Booker. Foi através de Booker que começou a tocar com Cannonball Adderley, Lee Morgan, Paul Desmond e Joe Zawignul. Em 1970, Zawignul indicou Airto para uma sessão de gravação com Miles Davis, para o álbum “Bitches Brew”. Depois disso, Davis convidou-o, junto com Hermeto Pascoal, para juntar-se ao seu grupo que, na época era composto por alguns ícones do jazz como Wayne Shorter, Dave Holland, Jack De Johnette, Chick Corea e, mais tarde, John McLaughlin e Keith Jarrett. Airto integrou a grupo de Miles Davis por dois anos aparecendo em “Live/Evil”, “Live at the Fillmore”, “On the Corner”, “The Isle of Wight”, “Bitches Brew” e, mais tarde, nas apresentações de Fillmore.

Airto foi convidado para integrar a formação original do Weather Report com Wayne Shorter, Joe Zavignul, Miroslav Vitous e Alphonse Mouzon, tendo gravado com eles o álbum “The Weather Report”. Logo em seguida juntou-se ao grupo original Return to Forever de Chick Corea com Flora Purim, Joe Farell e Stanley Clarke com o qual gravou os álbuns: “Return to Forever” e “Light as a Feather”. Em 1974 formou, com Flora Purim, a sua primeira banda nos Estados Unidos: Fingers.

Ficou conhecido nos os anos 70 e 80, como um dos percussionistas mais populares do mundo. Seu domínio sobre os instrumentos, aliado à sua habilidade em tirar o som certo no momento exato, fez dele o número um na lista dos produtores e bandleaders. Seu trabalho com Quincy Jones, Herbie Hancock, George Duke e Paul Simon, Carlos Santana, Gil Evans, Gato Barbieri, Michael Brecker, The Crusaders, Chicago e muitos outros, incluindo a participação em trilhas sonoras para o cinema, como em “The Exorcist”, “Last Tango in Paris”, “King of the Gypsies” e “Apocalypse Now”, representa só uma pequena parte da contribuição de Airto para a música nas últimas três décadas. O impacto do seu trabalho levou a revista Downbeat a considerar a categoria ‘percussão’ na votação dos seus leitores e críticos, na qual Airto foi o vencedor absoluto por mais de vinte vezes, desde 1973. Nos últimos anos, foi considerado o percussionista número um pela Jazz Time, Modern Drummer, Drum Magazine, Jazzizz Magazine, Jazz Central Station’s Global Jazz Pool na Internet, do mesmo modo que por várias publicações Européias, Latino-Americanas e Asiáticas.

Airto vem promovendo a causa da música percussiva em todo o mundo como membro do “Planet Drum Percussion Ensemble”, junto com Mickey Hart, baterista do “The Grateful Dead”, que inclui também o grande especialista em conga Giovanni Hidalgo e o virtuoso tablista Zakir Hussein, do mesmo modo que Flora Purim, Babatunde Olatunji, Sikiru e Viku Vinakrian, com o qual receberam o Grammy em 1991, na categoria ‘World Music’. O instrumentista contribuiu ainda para o Grammy recebido pela Dizzy Gillespie’s United Nations Orchestra na categoria ‘melhor álbum de jazz ao vivo’. Também compôs e tocou a sua “Brazilian Spiritual Mass” em um especial de duas horas para a TV Alemã, com a WDR Philharmonic Orchestra em Colônia. Essa rara performance foi registrada em vinil para o selo Harmonia Mundi e licenciada em vídeo distribuído em todo o mundo. Mais recentemente, foi músico convidado da Boston Pops Philharmonic Orchestra em especial para a PSB TV e também com o Smashing Pumpkins no “Unplugged” da MTV, com o grupo japonês de percussão Kodo e no último CD “Exciter” do grupo Depeche Mode.

Seu disco “Killer Bees” para o selo Melt2000, que tem como convidados Herbie Hancock, Stanley Clarke, Chick Corea, Mark Egan e Hiram Bullock, foi um dos álbuns mais aclamados pela crítica no mercado europeu. Seu disco solo “Homeless”, lançado em 2000, é considerado um álbum de alta energia com ritmos tribais e continua balançando o chão das casas de dança em todo o mundo. Outros lançamentos nesse selo incluem o grupo Fourth World com José Neto e Flora Purim. Sua canção ‘Celebration Suite’ foi re-mixada no ano passado pelo grupo DJ Bellini Brothers e recebeu o título ‘Samba de Janeiro’ Essa faixa permanece em primeiro lugar na categoria “dance music” em 26 países da Europa, Ásia e América Latina.

Em 2000, foi mais uma vez votado como o percussionista número um pelos leitores da Downbeat Magazine. Airto acaba de gravar um álbum com o grupo japonês de percussão Kodo, no qual foram incluídas duas de suas composições: ‘Maracatu’ e ‘Berimbau Jam’. ‘Maracatu’ foi escolhida por ser uma das músicas oficiais da copa do Mundo de 2002 e serviu como tema da cerimônia de abertura do evento no Japão. Como professor no Departamento de Etnomusicologia da UCLA, vem abrindo novos horizontes em termos de conceitos musicais e energia criativa. Divide o seu tempo entre as gravações em estúdios, workshops e shows, criando novos projetos incluindo DVD Surrond Sound , bem como pesquisando novos materiais para futuras performances nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina.

Fernando Jardim





Aprendendo a pensar

21 07 2008

Aprendendo a pensar

Grande parte dos estudantes e jovens atuais não gosta muito de ler.
- “Texto muito grande…” – É o que dizem.


ler é o que há. Desenvolve o raciocínio, a retórica e nos proporciona viagens por lugares desconhecidos e belos. Só pra ilustrar o dito vejam a história que Sir Ernest Rutherford, presidente da Sociedade Real Britânica e Prêmio Nobel de Química em 1908, contava:.

Faz algum tempo, recebi um telefonema de um amigo que estava a ponto de dar um zero a um estudante pela resposta que tinha dado num problema de física, pese que este afirmava com rotundidade que sua resposta era absolutamente acertada. Professores e estudantes lembraram pedir a opinião de alguém imparcial e fui eleito.

Li a pergunta do exame que dizia: “Demonstre como é possível determinar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro”.

O estudante tinha respondido:
- “Leve o barômetro ao terraço do edifício e amarra-lhe uma corda muito longa. Solte-o até a base do edifício, marque e meça. O tamanho da corda será o do edifício”.

Realmente, o estudante tinha proposto um sério problema com a resolução do exercício, porque tinha respondido à pergunta correta e completamente.

Por outro lado, se se lhe concedia a máxima pontuação, poderia alterar a média de seu ano de estudos, obter uma nota mais alta e assim certificar seu alto nível em física; mas a resposta não confirmava que o estudante tivesse esse nível.

Sugeri que se desse ao aluno outra oportunidade. Concedi-lhe seis minutos para que me respondesse a mesma pergunta mas desta vez com a advertência de que na resposta devia demonstrar seus conhecimentos de física.

Tinham passado cinco minutos e o estudante não tinha escrito nada. Perguntei-lhe se desejava espairecer, mas me contestou dizendo que teria muitas respostas ao problema. Sua dificuldade era escolher a melhor de todas. Desculpei-me por interromper-lhe e pedi que continuasse.

No minuto que restava escreveu a seguinte resposta:
- “Pegue o barômetro e lança-o ao solo do terraço do edifício, calcule o tempo da queda com um cronômetro. Depois aplique a formula da altura = (0,5*h*T²). Assim obtemos a altura do edifício.”
Neste ponto perguntei a meu amigo se o estudante podia retirar-se. Deu-lhe a nota mas alta.

Logo depois, reencontrei-me com o estudante e pedi que me contasse suas outras respostas à pergunta.
- “Bom…”- respondeu -”…há muitas maneiras. Por exemplo, pegue o barômetro num dia ensolarado e meça a altura do barômetro e a longitude de sua sombra. Se medimos a seguir a longitude da sombra do edifício e aplicamos uma simples proporção, obteremos também a altura do edifício.”

Perfeito, disse-lhe, e de outra maneira? E ele prontamente:
- “Este é um procedimento muito básico para medir a altura de um prédio, mas também serve. Neste método, pegue o barômetro e fique posicionado nas escadas do edifício no térreo. Então vá subindo as escadas enquanto marca a altura do barômetro e conte o número de marcas até o terraço. Multiplique, ao final, a altura do barômetro pelo numero de marcas e terá a altura. Este é um método muito simples e direto.”
E continuando :
- “No entanto, se o que quer é um procedimento mas sofisticado, pode amarrar o barômetro a uma corda e movê-lo como se fosse um pêndulo. Se calculamos que quando o barômetro esta à altura do terraço a gravidade é zero e se temos em conta a medida da aceleração da gravidade ao descer o barômetro em trajetória circular ao passar pela perpendicular do edifício, da diferença destes valores, e aplicando uma singela formula trigonométrica, poderíamos calcular, sem dúvida, a altura do edifício. Mas enfim … existem muitas outras. Provavelmente, a melhor seja pegar o barômetro e bater na porta do apartamento do zelador e quando ele abrir dizer: Oh Severino, tenho aqui este barômetro muito legal e bonito. Se você me dizer a altura exata do prédio, dou-lhe de presente.
Neste momento da conversa, perguntei-lhe se não conhecia a resposta convencional do problema(a diferença de pressão marcada pelo barômetro em dois lugares diferentes nos permite saber a diferença de altura entre estes mesmos dois pontos).
- “Evidente que sim, mas durante meus estudos, os professores sempre me incitaram a pensar.”
O estudante se chamava Niëls Bohr, prêmio Nobel de física em 1922, mas conhecido por ser o primeiro a propor o modelo do átomo como conhecemos hoje em dia, com prótons, neutrons e elétrons nas camadas. Foi fundamentalmente um inovador da teoria quântica.
Á margem da veracidade do divertido e curioso personagem, o essencial da história é que haviam lhe ENSINADO A PENSAR.





Anistia Internacional

21 07 2008

esse material foi criado pela agência MUW Saatchi & Saatchi (Eslováquia) para a Anistia Internacional. O mote da campanha são os jogos olímpicos de 2008, que serão realizados em Beijing, na China. Uma forma de protesto contra a violação dos direitos humanos que corre solta naquelas bandas.





Email Diário!

20 07 2008

COISAS DO NORDESTE

Quem ainda não leu ou ouviu falar sobre o Nordeste de alguns anos atráz, pode até achar que é brincadeira, Mas é uma história verídica! Aconteceu numa cidadezinha lá nos confins da Paraíba.

O dono do circo, em passagem pela cidade, sabendo quão religiosa era sua comunidade, resolveu encenar a PAIXAO DE CRISTO na Sexta-Feira Santa.

O elenco foi escolhido dentre os moradores locais e, no papel pincipal – de Jesus Cristo – colocaram o cara mais “gato” da cidade.

Os ensaios iam de vento em popa quando, às vésperas do evento, o dono do circo soube que “Jesus” estava de caso com sua mulher.

Furioso, o corno deu-se conta que não podia fazer escândalo pois iria por a perder todo o trabalho e o investimento que fizera pra montar a peça.

Pensou, pensou… Na véspera do espetáculo, comunicou ao elenco que iria participar… fazendo o papel do CENTURIÃO !!!

- Mas como? – reclamaram todos – Você não ensaiou!

- Não é preciso ensaiar, porque centurião não fala!

Mesmo sem gostar, o elenco teve que aceitar; afinal, o cara era o dono do show.

Chegou o grande dia. A cidade em peso compareceu. No momento mais solene, a platéia chorosa em profundo silêncio… Jesus carregando a cruz… e o “centurião” começa a dar-lhe chicotadas. De verdade.

- Pô, cara, ta machucando! Reclamou “Jesus”, em voz baixa .

- É pra dar mais veracidade à cena, devolveu o “centurião” .

E tome mais chicotada… lept, lept, o chicote comendo solto no lombo do infeliz.

Até que “Jesus” que já reclamara bastante, enfureceu-se de vez, largou a cruz no chão, puxou uma PEIXEIRA e partiu pra cima do “centurião ” :

- “Vem, desgraçado! Vem cá que eu vou te ensinar a não bater num indefeso”!

O “centurião” correndo, “Jesus” com a peixeira correndo atrás, e a platéia em delírio gritando:

“É isso aí! Fura ele, “Jesus”! Fura que aqui é Paraíba, não é Jerusalém não”!!!





Meus Caros Amigos

20 07 2008

Meus Caros Amigos
(Amici Miei)

Meus Caros Amigos é inesquecível. E, graças à genialidade do diretor Mario Monicelli, lançou as bases para a nova comédia italiana. Inteligente, irreverente, surpreendente e, sobretudo, engraçadíssimo, mostra o cotidiano de velhos amigos de escola que, apesar de cinqüentões e estabelecidos na vida, ainda se encontram para pregar peças e passar trotes em quem se atrever a ficar no caminho deles.
Assim, a memória do jornalista e narrador Giorgio Perozzi (Philippe Noiret) vai mostrando, em pequenas crônicas, histórias do grupo, que ainda conta com os amigos Lello Mascetti (Ugo Tognazzi), um conde falido, o arquiteto Rambaldo Melandri (Gastone Moschin) e Necchi (Duílio Del Prete). Entre uma pegadinha e outra, Perozzi relembra, inclusive, como o Doutor Sassaroli passou a fazer parte do grupo, dando origem a um quinteto pra lá de irreverente. Prepare-se: você vai morrer de rir.





Loucos por K7

18 07 2008

Loucos por K7

Sites como Cassette from My Ex e Mixwit relembram o antigo hábito de gravar fitas para amigos(as) e namorados (as)

A produtora Lili Molina, que, na adolescência, costumava trocar fitas cassetes com o namorado

BRUNO YUTAKA SAITO
DA REPORTAGEM LOCAL

Para as gerações pré-iPod, ela era mais eficiente do que qualquer carta de amor. Neurônios eram torrados, horas e horas eram gastas na busca pela seqüência perfeita. Entre os vidrados em música, gravar uma fita cassete personalizada era presente obrigatório para que um amor fosse conquistado, ou para que uma grande amizade fosse consolidada.
Mas as fitas não foram de vez para a aposentadoria. Se não são muito usadas hoje (entre os anos 70 e 90, antes dos CDs e iPods, eram a principal mídia para gravar música), elas se tornaram objeto de culto e inspiram uma série de sites que prestam tributo ao antigo e romântico hábito da criação de “mixtapes”, ou em português claro, fitinhas.
“Eu passava horas em frente ao aparelho de som, com os dedos nos botões “record” e “play” e os joelhos doendo, na esperança de impressionar uma garota com meu conhecimento musical”, diz Jason Bitner, 34, criador do site Cassette from my Ex (cassete do(a) meu(minha) ex -www.cassettefrommyex.com). “Tínhamos que sofrer por nossas fitinhas.” No site, o norte-americano convida escritores, músicos, designers, entre outros, a escreverem crônicas sobre uma fita K7 que ganharam do(a) ex.
Além de hospedar saborosos textos (todos em inglês) em que a memória afetiva se mistura a auto-análises, o site coloca as músicas no ar para audição. “Um dia fui ao meu porão e encontrei uma caixa de sapato empoeirada com várias fitas.
Reparei que as únicas que guardei foram aquelas feitas para mim. Você não pode se livrar das fitas, elas estão carregadas de histórias, de nostalgia. Me dei conta de que várias pessoas da minha idade talvez ainda as guardassem”, diz Bitner, sobre a criação do site.
É o caso do vocalista da banda paulistana Multiplex, Leandro Cunha, 34. Ainda mais extremo, o cantor continua, até hoje, não apenas guardando, mas gravando fitas, já que até outro dia trabalhava em um brechó onde o único aparelho de som rodava apenas fitas.
“Eu me realizava gravando e fazendo as capinhas. Mas não sou saudosista a ponto de achar que antigamente as coisas eram melhores. Mas, às vezes, tem um choque de gerações”, diz Cunha. “No brechó, tinha um cara de 21 anos. Um dia, pedi pra ele mudar o lado da fita, e ele não sabia como fazer…”

Ela rock, ele MPB
As “mixtapes” são, também, uma forma de intercâmbio. A produtora de shows Lili Molina, 40, por exemplo, ampliou seu repertório com elas. “Aos 18 anos, eu tinha um namorado com quem me comunicava por fitas. Até escrevia cartas, mas a gente falava muito mais pelas músicas. Eu era mais roqueira, e ele gostava de MPB. Tenho fitas dele com Chico Buarque, Elomar, Caetano. Aliás, foi por uma dessas fitas que eu conheci os Doces Bárbaros.” Mais atualizado, o músico e produtor Paulo Beto (de projetos como Freakplasma e Anvil FX) mantém o hábito usando o site Mixwit (www.mixwit.com), que, assim como o similar Muxtape (www.muxtape.com), permite a criação de fitas virtuais, para serem ouvidas on-line. Mesmo tendo se livrado de todas as fitas velhas, ele relembra o passado com bom humor: “Sempre gostei de gravar fitas para namoradas! Era o meu momento de me sentir importante, já que sempre fui conhecido por ser uma pessoa da música”.
Outro que aderiu à tecnologia é o escritor Santiago Nazarian. Em 2002, ele passou de vez para o gravador de CDs: “O principal do ritual romântico de gravar fitas é que você tem de percorrer cada música, ouvindo até o fim. A questão da seqüência também existe no CD, claro, mas hoje as músicas são passadas por MSN, gravadas em pen drive…De qualquer forma, não sou saudosista”.
Bitner, por fim, conclui: “Adoramos celebrar e idolatrar as coisas que tínhamos quando crianças. Cassetes simbolizam nossa era, e queremos manter essa memória viva”.