Nascido e criado no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro, João Nogueira aprendeu a tocar violão acompanhando o próprio pai, que morreu quando ele tinha 10 anos.
“Seu” João Nogueira além de advogado, era violonista e chegou a tocar com o Conjunto Regional de Rogério Guimarães, e com Jacob do Bandolim.
Com a sua morte, a família passou por uma fase difícil.

Assim, foi obrigado a trabalhar como vitrinista e vendedor.
Trabalhou, também, como funcionário da Caixa Econômica.

Aos 15 anos, começou a fazer música junto com a irmã, a compositora Gisa Nogueira.
Em 1958, passou a freqüentar o Bloco Carnavalesco Labareda do Méier, do qual, mais tarde, veio a ser diretor.

Já com diversos sambas compostos mas ainda restritos ao pessoal do Labareda, coube a Airton Silva (filho do saxofonista Moacir Silva, então diretor da gravadora Copacabana), também integrante do bloco carnavalesco, viabilizar a gravação, em 1968, da música “Espera, ó Nega”.
Neste samba, João foi acompanhado por um conjunto de samba que depois passou a se chamar Nosso Samba.

Com 29 anos, João Nogueira compôs a canção “Corrente de Aço” que foi gravada por Elizeth Cardoso, graças à apresentação de outro freqüentador do Labareda, Paulo Valdez (compositor e filho da cantora).

Em 1970, Nogueira lançou o disco Quem Samba Fica, com produção de Adelzon Alves, radialista da Rádio Globo.
Nesse disco, destacam-se as faixas “Mulher Valente é Minha Mãe” e “O Homem de um Braço”.

Em 1971 ingressou na ala dos compositores da Portela (com o samba “Sonho de Bamba”) e foi fundador da escola de samba Tradição.

Foi na sua própria casa do Méier que nasceu o Clube do Samba, que funcionou durante anos a fio com noitadas animadas pelo “Pagodinho de Fundo de Quintal”.

O Clube mudou-se para o bairro do Flamengo, em seguida para a Associação dos Servidores Civis do Brasil – inaugurado por Clara Nunes – e para o Clube Municipal, antes de chegar à sede definitiva, na Barra da Tijuca.
O local, onde funcionava um depósito de bebidas, foi totalmente reformado e decorado por João Nogueira – o fundador e presidente do Clube (1979).

Além do salão, com capacidade para mais de 1000 pessoas, funcionava no Clube uma galeria de arte – Guilherme de Brito – e o jardim batizado com o nome de Clara Nunes.

Participou também, como ator, do filme Quilombo, de Cacá Diegues, no qual fez o papel de Rufino.

Faleceu na madrugada do dia 6 de junho de 2000, vítima de enfarte, quando ainda se recuperava de um AVC que o deixara com algumas seqüelas.

João Nogueira – Clube Do Samba (1979)

01- Súplica
02- Arquibundo
03- Dama da noite
04- Nicanor Belas Artes
05- Canto do trabalhador
06- Esse meu cantar
07- Amor de dois anos
08- Dia de azar
09- Enganadora
10- Terno branco
11- Iô iô
12- Samba rubro-negro

Outra contribuição do nosso camarada Dj 440, lá de Olinda, Pernambuco.
Visitem o site dele:
http://dj440.com.br