Senta que lá vem História

Vamos a estréia da nossa coluna que vai tratar de história de verdade, tudo que trata a respeito do verdadeiro sambarock e suas vertentes.

Teremos um conteúdo nunca antes reunido em um site do assunto com depoimentos, entrevistas, releases, biografias, resenhas, tudo regado com pitadas de comentários dos nossos colecionadores e experts no tema.


Esperamos ajudar a manter nossas origens sempre viva!

O nosso bom Samba Parte I

Como diz o radical J. Ramos Tinhorão, o cáustico e rigoroso crítico musical do “Jornal do Brasil”, não é fácil ser brasileiro em termos musicais, tal a proliferação da (pior) música estrangeira. Por isto, os lançamentos dos Sambões – quando alguma gravadora se encoraja a prestigiar a nossa mais autêntica forma musical – merecem ser prestigiados, sem rigores maiores, desculpando-se falhas técnicas e artísticas e uma boa dose de comercialismo, pois na concorrência com o elétrico e irritante som pop, que polui as rádios e outros veículos de divulgação no Brasil, o importante é ouvir a nossa música. Como as que aparecem nos lançamentos seguintes:

SAMBAS DE TODOS OS TEMPOS (Continental, LPS-22.017) – Recorrendo ao seu notável arquivo, um produtor (cujo nome, infelizmente, não é mencionado na contracapa) produziu este interessante lp-antologia-[nostalgia], com bons sambistas. Assim, com o incrível Jamelão (José Bispo Clementino dos Santos, 60 anos) temos “Eu Agora Sou Feliz” (Mestre Gato/José Bispo). Com Risadinha (Francisco Ferraz Netto, 53 anos), nome famoso em vários carnavais, hoje esquecido, temos alguns de seus maiores sucessos: “Madureira Chorou” (Carvalhinho/Júlio Monteiro), “Seu Eu Errei” (Francisco Netto-Humberto Carvalho-Edu Rocha), “A Fonte Secou” (Monsueto Menezes-Tufic Lahuar-Marcleo) e “Não Me Diga Adeus” ( Anisio Silva/Fausto Guimarães). Outro bom sambista, nome marcante no passado, hoje totalmente esquecido, que é rememorado neste bom lp é Caco Velho (Matheus Nunes, 1920/1971), considerado o melhor sambista brasileiro no estilo “Scat”, e que aqui aparece com “Meu Fraco é Mulher” (Conde/Heitor de Barros) e “Não Faça Hor Comigo” (Caco Velho/Henricão). Representante da nova geração de sambistas, lutando por seu lugar ao sol no difícil mercado, o mineiro Noite Ilustrada (Mário Souza Marques Filho, 37 anos) é o cantor que aparece em maior número de faixas: além de abrir o lado B com “Atire a Primeira Pedra” (Ataufo Alves/Mário Lago), é o intérprete de uma longa seleção no lado a, que inclui clássicos sambas feitos para musas inspiradoras de nossos compositores: “Marina”, e “Rosa Morena” de Dorival Caymmi; “Isaura de Herivelto Martins e Roberto Roberti (regravado genialmente no ano passado por João Gilberto); “Maria Tereza” de Gomes Cardim; “Juracy” de Antonio Almeida e Ciro de Souza; “Laura”, de Jorge Galatti e Nogueira Santos; “La Lá, Le Lé, Li Li” de João de Barro-Alberto Ribeiro e “Ai Que Saudades da Amélia” de Ataufo Alves-Mario Lago. Finalmente, para encerrar o lp, uma seleção de Noel Rosa (1910-1937), na interpretação dos 3 Morais: “Feitiço na Vila”, “Palpite Infeliz”, “O Orvalho Vêm Caindo”, “Com Que Roupa”, “Fita Amarela” e “Até amanhã”. Sem dúvida um disco importante, para quem gosta da música do povo e é brasileiro.

Já a RGE, com conjunto Sambas Reunidos, lança o volume 3 da série que o grupo vêm fazendo para o selo Premier. Neste novo lp, temos ma seleção de sucesso do momento, mas válidos: “Na Casa da Tia Ciata” (Artulio Reis/Monalisa), “Conto de Areia” (Romildo Bastos/Toninho), “Silêncio da Madrugada” (Luiz Ayrão), “Vai Doer” (Nazareno/Marcelo Duran), “Pise Nesse Chão Com Força” (Benito di Paula), “Replay” (Roberto Correa-Jon Lemos), “Fandango” (A. Moreira/Zé Pretinho da Bahia/Rubens da Mangueira), “Samba Quadrado” (Milton Carlos-Isolda), “Perdido na Madrugada” (Gilson de Souza/Djalma Pires) e o clássico “Felicidade” (Lupiscínio Rodrigues-1914-1974).

Texto de Aramis Millarch,

Data: 22/11/1974