Documentário e livro retrata os Bailes Black Paulistanos

O projeto Soul, Samba-Rock e Hip Hop: Baile Black em São Paulo é mais um dos projetos realizados em parceria com a Fundação Cultural Palmares/MinC. Produzido pela ONG Quilombhoje o projeto tem o objetivo de documentar, através de um videodocumentário e de um livro, uma atividade que tem constituído um campo extremamente interessante para a população negra de São Paulo: o Baile Black.

Reunindo pessoas de várias faixas etárias, o baile é mais que um lazer, constituindo-se também num espaço de construção de identidades. Nele, a discriminação cede lugar à alegria e ao respeito, criando uma identidade e auto-estima positivas nos jovens freqüentadores. “Ali, entre seus iguais, o afro-descendente se vê pertencendo a uma cultura e a uma comunidade, pode encontrar semelhantes para praticar a sociabilidade, repartir comunitariamente alegrias ou preocupações e descontrair ao som de músicas e ritmos marcadamente pertencentes a uma etnicidade da qual faz parte”, nos fala Márcio Barbosa, vice-presidente da Quilombhoje.

Arte como atividade econômica:

O baile tem dois aspectos importantes: constitui atividade econômica e atividade artística. Pode-se dizer que o atual formato dos bailes paulistas teve seu início na década de 70, quando o estilo que estava sendo formado era o samba-rock, que ainda divide opiniões quanto ao fato de ser uma dança ou um estilo de música. Depois, a partir da influência dos cariocas, veio o movimento soul, que foi substituído em seguida pelo hip hop.


Nesse percurso os bailes foram se diversificando e proporcionando espaço para que surgissem músicos e dançarinos dedicados a esses estilos. Ao redor do baile também se formou uma camada de trabalhadores atuando no ramo do entretenimento. Surge então o baile “black” e o baile nostalgia.

Nos conta Márcio que a definição de baile black, dada pelos próprios freqüentadores, “tem a ver com o fato de esses bailes juntarem ao samba e samba-rock estilos de origem afro-americana, como as diversas vertentes do R&B (rhythm and blues) e do hip hop. No baile nostalgia, mais conservador, tocam-se músicas que foram sucesso no passado ao lado de novos sucessos. Embora a maioria dos freqüentadores seja negra, há muitos brancos que vão até esses espaços”.

Os bailes nas telas:

O documentário elaborado pelo Quilombhoje traz depoimentos de donos de equipes, como William, da Zimbabwe, e Luís Carlos, da equipe Os Carlos; de músicos, como Luis Vagner e Thaide; de freqüentadores de bailes e também de um antropólogo para avaliar o real impacto que os bailes têm sobre a comunidade negra, sendo que no atual momento, os grandes bailes deram lugar a espaços menores, nos bairros periféricos ou nos de classe média e boêmios. Mas que “na década de 70 reunia de 2.500 a 5.000 pessoas por evento, chegando em seus momentos de pico a aglomerar 50 mil jovens por final de semana. Hoje, o único grande baile black é o chamado baile nostalgia”, diz Márcio.

O videodocumentário que terá 45 minutos vai se desdobrar em um livro com depoimentos e fotografias e sua previsão de término é para o final de junho de 2007. O público alvo do projeto é constituído por professores, estudantes, militantes e população em geral que até mesmo já solicitou a distribuição dos produtos. “Durante as filmagens, inclusive, já recebemos solicitações de professores presentes aos bailes e que desejam obter esse material para trabalhá-lo com os alunos. Percebe-se a carência desses professores em relação a material que traga aspectos positivos da cultura negra”, explica Márcio Barbosa.

Os livros e vídeos serão distribuídos para as escolas.

Quilombhoje

O Quilombhoje é uma organização cuja missão vem sendo preservar e dar visibilidade à história e à cultura afro-brasileira, especialmente através da literatura e dos livros, fomentando pesquisas e diagnósticos sobre a cultura afro.

http://www.palmares.gov.br

Reportagem: Marcus Bennett, Especial para o Portal Palmares