Os sambistas populares

Embora voltado basicamente para o brega, a Nova Copacabana está interessada em formar um elenco de sambistas. Há algum tempo já contratou Jair Rodrigues (Igarapava, São Paulo, 06/02/1939), que apesar de sua identificação ao samba andou namorando o gênero rural em seus dois últimos discos. Agora, reaparece com um repertório na linha do pagode, com composições de Leci Brandão / Zé Maurício (“Lugar de Pagode”), Zeca Pagodinho / Arlindo Cruz (“Somente Sombras”), Bedeu / Antônio Carlos (“Cabeça Feita”), Beto Scala (“Filha da Filha da Chiquita Bacana”, “Canto Livre”) e até o grupo As Marcianas em “Sonhos Coloridos”.

Oportunista bem sucedido, Benito di Paula usou o samba quando foi conveniente e partiu para o gênero mais abolerado depois que emplacou seus primeiros sucessos. Agora, em seu 16º disco, retorna a Copacabana e a fórmula que usou nos onze discos ali gravados. Pelo visto está conseguindo um bom espaço – pois “Quando a Festa Acabar” e “Eu Sou Mulher” ganharam boa programação nas rádios paulistas. Todas as músicas são inéditas, exceto “Pare, Olhe e Viva”, que já havia gravado em 1974 e que ganhou arranjo especial e virou tema de uma campanha preventiva de acidentes de trânsito da Rede Bandeirantes de Televisão.

Há oito anos, no MPB Shell, o grupo Exporta Samba conseguiu fazer sucesso com seu “Reunião de Bacana” e, apesar de mudanças em sua formação, o grupo (criado por ex-integrantes da bateria e harmonia dos blocos “Vai quem Quer” e “Bafo de Onça”) tem sobrevivido. Em 1981, o grupo acompanhava Almir Guineto em sua “Mordomia”, no MPB Shell – época em que o pagodeiro ainda era pouco conhecido. Agora, em novo elepê (“Valeu a Experimental”), o Exporta Samba traz um repertório com sambistas conhecidos – Beto Sem Braço, Zé Catimba, Canduca, na linha alegre e irônica que caracteriza este conjunto.

Como há necessidade de buscar sempre novos intérpretes, a Copacabana apostou num criolão de muito ritmo e cujo pseudônimo artístico já assusta um pouco: Criolo Doido.

Jorge Francisco da Silva, carioca de Cascadura, começou a aparecer em 1979, quando uma de suas composições, “Pega Eu”, foi gravada por Bezerra da Silva. Tricampeão de samba-enredo da Escola de Samba Unidos do Viradouro, em Niterói, o Crioulo Doido já tem músicas gravadas pelos grupos Exporta Samba, Originais do Samba e Dicró, que o ajudou a gravar seu primeiro disco. Agora, Criolo Doido vem com um novo (e divertido) disco, no qual 9 das 13 músicas são de sua autoria, duas das quais sem parceiros: “Festival do Chopp” e “Mané da Bocada”.

Um dos méritos do Criolo Doido é a ironia e a descontração. Merece ser programado nas AMs neste período de verão.

Almir Guineto fez carreira inicialmente como compositor – gravado por cantoras como Beth Carvalho (por sinal, com seu novo lp, registrado ao vivo em Montreaux, na praça), antes de se lançar como intérprete. Boa voz e sabendo escolher bem seu repertório, agrada também como intérprete e tanto é que seu terceiro elepê (“Perfume de Champanhe”, RGE), teve uma venda antecipada de 280 mil cópias – o dobro do anterior – o que lhe garante, de cara, um disco de platina. “Batendo na Palma da Mão”, “Acabou a Miséria”, “Folia de Reis”, “Perfume de Champanhe” e “Opção” estão entre as músicas novas que ganham uma boa catituagem neste período.

Finalmente, Agepê, transformado em milionário do samba em seu período de estrela da Sigla/Som Livre, está voltando a Polygram/Philips. Em time que está ganhando não se mexe e assim a fórmula é a mesma: dividindo com Canário as músicas, Agepê faz seus sambinhas descontraídos, de fácies refrões e capazes de chegar a um público fiel e que lhe tem garantido vida tranqüila em termos financeiros. Vem com sambas como “Dona do Meu Ser” (Provar do seu batom), “Um Grande Amor nunca Termina” e “Primeiro Beijo”, num romantismo samba-bregue.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:

Veiculo: Estado do Paraná

Caderno ou Suplemento: Almanaque

Coluna ou Seção: Música

Página: 23

Data: 24/01/1988