E continuando com a festa tivemos a grande satisfação em receber em nosso blog um dos maiores pecusionista do Brasil Joãozinho Parahyba.

João Carlos Fagundes Gomes, mais conhecido como João Parahyba, começou sua carreira profissional aos 18 anos, na boate Jogral em São Paulo.
Como percussionista contratado da casa, acompanhou artistas como Cartola, Clementina de Jesus, e participou de históricas jam-sessions com artistas Hermeto Pascoal, Earl Hines, Michel Legrand.
Uma dessas canjas tornou-se frequente: Jorge Ben no violão, João na timba, Nereu Gargalo no Pandeiro e Fritz Escovão na cuíca.
Nascia assim o Trio Mocotó, formado pelos três percussionistas para acompanhar Jorge Ben no Festival Internacional da Canção de 1970.

Baterista de formação, Parahyba adaptou uma timba (surdo de mão) com um contratempo de bateria e desenvolveu uma técnica própria usando escovas, pois não havia bateria no Jogral e a bateria era considerada um instrumento muito “barulhento” pelas boates de música brasileira da época.
Esse setup diferente de bateria tornou-se sua marca registrada.

De 1970 a 1975 o Trio Mocotó viajou pela Europa com Jorge Ben, e participou de gravações como País Tropical, Que Maravilha, do LP’s “Jorge Ben” (1969), “Força Bruta” (1970) e do raro “On Stage” (1972), registro ao vivo de um show no Japão e que foi lançado apenas por lá.

Acompanharam também, Vinicius de Morais, Toquinho e Marília Medalha no show “Encontro”, além de participarem de vários festivais e gravarem com vários artistas da música brasileira e internacional.

Nesse período, o Trio Mocotó lançou três LP’s: “Muita Zorra ! Ou São Coisas Que Glorificam A Sensibilidade Atual” (1971) e os homônimos de 1973 e 1975, esse último sem a presença de João Parahyba.

Em 1981 João foi para os Estados Unidos estudar composição e arranjo no Berklee College of Music (Boston).
De volta ao Brasil iniciou uma sólida trajetória como instrumentista acompanhando Ivan Lins no show “Novo Tempo” e em seguida participando do pioneiro projeto “Prisma/Ponte das Estrelas” com Cezar Camargo Mariano, que combinava musica instrumental e musica eletrônica.
Desse primeiro contato com sequencers e sintetizadores João não parou mais de pesquisar e desenvolver projetos unindo essas novas tecnologias a sua música e aos ritmos brasileiros.

A partir de 1990 se envolveu também com produção e foi parceiro de Mitar Subotic, o Suba, produzindo muitos projetos independentes e participando da maior parte de seus trabalhos com Arnaldo Antunes, Edson Cordeiro entre outros.
A parceria, que terminou abruptamente com a morte de Suba em 1999, foi coroada nos discos de Suba, “São Paulo Confessions” (2000) e Bebel Gilberto, “Tanto Tempo” (2000).

Também em 2000, lançou seu disco solo “Kyzumba” e encabeçou o retorno do Trio Mocotó, onde gravou “Samba Rock” (2001) e “Beleza ! Beleza ! Beleza !” (2004).

Em 2007 formou junto com Pascal Lefeuvre & Carlinhos Antunes o Trio Atlântico, excursionando pela França e Espanha.
Em 2008 comemorando 40 anos de Profissão, João formou as bandas Komanche’s groove Band e o Quarteto Parahyba Jazz.
Recentemente compôs e produziu o novo tema do “Grande Prêmio Brasil de Formula 1”.

Conheça mais do trabalho de João Parahyba em:
http://www.myspace.com/joaoparahyba
ou
http://www.myspace.com/triomocoto

Ao amigo João Parahyba o nosso muito obrigado pela presença.

10 musicas que fazem a cabeça
por
João Parahyba

1) Cosa Nostra – Jorge Ben & Trio Mocotó
2) Coqueiro Verde – Trio Mocotó
3) Palladium – Clube do Balanço
4) Só Que Deram Zero Pro Bedeu – Luiz Vagner
5) Não Adianta – Trio Mocotó
6) Carolina – Seu Jorge
7) Meu Guarda-Chuva – Elizabeth Viana
8) Essa é pra tocar no radio – Gil & Jorge
9) Zamba bem – Marku
10) Kriola – DJ Marky & Trio Mocotó

E pra continuarmos com a festa fomos buscar algo diferente e a altura do nosso ilustre amigo e parceiro que abriu um espaço na sua agenda pra nos dedicar um pouco do seu tempo precioso.

Fomos buscar o primeiro álbum solo do João, “Kyzumba”.

Se você é um daqueles que não se identificam com a atual onda de sons ritmos eletrônicos que já invadiu até a música popular brasileira, vale a pena conhecer esse álbum de João Parahyba.
O veterano percussionista e fundador do Trio Mocotó mostra como é possível usar instrumentos e recursos eletrônicos sem soar como música feita por (e para) robôs.
A diferença se explica, antes de tudo, pelo fato de Parahyba dispor de uma vasta bagagem musical, acumulada em mais de três décadas de carreira, tocando samba, MPB, jazz e música instrumental brasileira, além disso, Parahyba usa sons reprocessados de sua própria percussão para compor novas obras.
Gravado originalmente entre 1993 e 1994, e lançado em 2000, Kyzumba não soa nem um pouco datado.
Parahyba avisa que o ouvinte deveria começar pela última faixa do CD, Kié, concebida como a primeira (um erro na gravação do master alterou a ordem imaginada pelo compositor).
Ritmos de candomblé servem de base nessa composição para uma trilha sonora quase dramática, pontuada por intervenções jazzísticas do trompetista Walmir Gil e do gaitista Milan Mladenovic.
Samba de gafieira e jazz se fundem na inusitada Maria’s Serenade, que destaca solos do mesmo Gil, de Proveta (clarinete) e François (trombone).
Em Tacaruna, as levadas eletrônicas de Parahyba embutem dançantes ritmos de forró, apimentados pelas intervenções acústicas de Toninho Ferragutti (acordeon) e Pitoco (clarinete).
Mais lírica, Sancristobal une vocalises da cantora Jane Duboc e o violão de Luiz do Monte. Ritmos de samba também estão nas bases da faixa-título, de Crab Dance e Number One. (Carlos Calado)