Cinéfilos

Boogie Nights mostra ascensão
e queda do cinema pornô

Mark Wahlberg já foi um rapper dos mais bem sucedidos com seu grupo Marky Mark and the Funky Bunch, depois foi modelo das cuecas Calvin Klein e agora, no final dos anos 90, constrói uma sólida carreira de ator.

Trajetória menos feliz teve o ator Eddie Adams, mais conhecido como Dirk Diggler, personagem interpretado por Wahlberg em Boogie Nights – prazer sem limites.

Após ter estourado na industria pornô no final dos anos setenta, Diggler conhece a derrota e o ostracismo no decorrer da década de 80 com o fenômeno do vídeo pornô caseiro.

Retrato de uma geração

Boogie Nights, indicado a três prêmios Oscar (roteiro, ator coadjuvante e atriz coadjuvante), mostra não só o surreal submundo dos integrantes da industria pornô, como também, através de uma vasta gama de personagens bem construidos e interpretados,  mostra a própria evolução da sociedade nas décadas de setenta e oitenta.

O personagem Dirk Diggler é baseado no ator pornô John Holmes, também conhecido como Johnny Wadd, que conheceu sucesso e derrota em pouco tempo, tendo sido finalmente vencido em 1988 pela maior praga que assolou a revolução sexual, a Aids.

Com apenas 27 anos, o diretor estreante Paul Thomas Anderson realizou simplesmente um dos melhores filmes de 1997, com um olhar sem preconceitos sobre a marginal, mas rentável, indústria pornô, que evoluiu principalmente a partir dos anos 70 com filmes como Garganta Profunda e Emanuelle.

O filme mostra a inocente visão dos atores, diretores e produtores deste gênero de filmes, sem resvalar na pieguice, no moralismo ou mesmo na complacência.

Vale a pena conferir Boogie Nights – prazer sem limites, tanto pelo ineditismo do tema, que pela primeira vez é tratado pelo cinema com honestidade e profundidade, quanto pela bem cuidada produção que garante mais de duas horas de prazer, com limites.

Wahlberg mostra aqui todos seus dotes, inclusive aquele, o qual ele jurou que é uma prótese cenográfica em recente entrevista ao apresentador de TV americano David Letterman. É ver para crer.

Nicotina – Uma Noite De Puro Caos

Nicotina (Nicotina)

Elenco: Diego Luna; Marta Belaustegui; Lucas Crespi; Jesús Ochoa; Rafael Inclán;
Rosa Maria Bianchi.Direção: Hugo RodriguezGênero: DramaDistribuidora: Paris FiIlmesEstréia: 17 de Junho de 2005

Sinopse: Lolo é um hacker que tem um caso com sua vizinha, a violoncelista Andrea . Lolo é especialista em tecnologia de ponta e, usando seu talento, grava todas as ligações telefônicas de Andrea e a espiona através de câmeras escondidas. Paralelamente ele consegue acessar dados de contas suíças através do computador, os quais usa, juntamente com dois criminosos, como trunfo para negociar com um mafioso russo por 20 diamantes. Quando Andrea descobre que está sendo espionada e que Lolo é o culpado, ela invade o apartamento dele e quebra tudo o que vê, arremessando o CD com os dados das contas suíças pela janela. Sem saber, Lolo pega o CD errado e o entrega aos mafiosos. Com o fracasso da troca, todos partem pelas ruas da Cidade do México para encontrar o CD perdido.

O Quinteto Irreverente (Amici Miei Atto II)

Apenas uma coisa separa essa grande amizade. Saiba qual…

Segundo filme da trilogia de Monicelli que começa com “Meus Caros Amigos”. Creiam, não há perdas se vistos fora da seqüência. Politicamente incorretos, machistas e sem escrúpulos, eles não poupam ninguém. Nem Religião, nem Família e nem ética nenhuma.

O filme traz passado e presente na vida desses caros amigos. No presente, um deles já se foi. E no encontro dos quatro, no túmulo desse… Somos então apresentados a essa turma para lá de irreverente. São eles: um Conde falido, um arquiteto, um dono de um restaurante, um cirurgião e o amigo morto, fora um editor de jornal. Na fala do Conde, temos o elo que os unes:

Apesar de toda as diferenças entre nós… todos reunidos por certa regras que não confessamos: o direito de nos pregar peças reciprocamente; a vontade de rir, de se divertir e o gosto difícil de não se levar nada a sério.

O que eles aprontam!! É hilário!! Uma dica: não bebam e não comam nada durante as brincadeiras. Correm o risco ou de engasgarem, ou de quase cometerem um strike como eu bebendo um café logo no começo. Tive que voltar a fita, por não acreditar no que estava vendo e para rir de novo.

As brincadeiras continuam, sem que eles percam o pique. Há aquelas que fazem sempre, mas há também as que parecem vir de bandeja para eles. Que em vez do “Ai, ai, ai, ai!“, que é como um aviso do médico aos demais… nos vem um: “ô, ô! Mais um pato para eles.” E eles não nos decepcionam! Melhor explicado pelas palavras do arquiteto ao ver um dos amigos em ação; mais um que não deixou que a bola fosse embora. Eis: “Que coisa de gênio! A fantasia, a intuição, golpe de vista e velocidade de execução.”

Além da farra que fazem juntos… Um dos pontos positivos nessa amizade é a liberdade que dão aos demais de sacanearem entre si. Como na cena onde um guarda de trânsito os param, por terem entrado na contramão. Daí, o dono do restaurante descobre que não é dele a carteira que traz no bolso. A turma não perdoa! Também, numa de levantar a moral de um, armam um banzé na Torre de Pisa.

Agora, sem sombra de dúvida, eles mostram que são amigos até num infortúnio. Em ter prazer na companhia um do outro, sempre. Que darão um jeito de se divertirem juntos!

Quinteto Irreverente [Meus Caros Amigos 2] (Amici Miei Atto II). 1982. Itália. Direção: Mario Monicelli. Com: Philippe Noiret, Ugo Tognazzi, Adolfo Celi, Gastone Moschin, Renzo Montagnani, Milena Vukotic, Franca Tamantini, Angela Goodwin.

As Loucas Aventuras de Rabbi Jacob

Um dos filmes mais engraçados do mestre do humor francês, o comediante Louis de Funès, As Loucas Aventuras de Rabbi Jacob é apresentado em versão restaurada e remasterizada no formato widescreen anamórfico. Victor Pivert é um homem cheio de preconceitos. No caminho do casamento da filha, ele se vê no meio de uma conspiração de terroristas. Para fugir de seus perseguidores, assume a identidade de um rabino americano, que é esperado num encontro de judeus em Paris. É o início de uma série de trapalhadas e impagáveis confusões. Com uma bela mensagem de tolerância, As Loucas Aventuras de Rabbi Jacob é uma das melhores comédias de todos os tempos. Divirta-se e morra de rir com as maluquices de Louis de Funès.

Segunda-feira ao sol

Dois camaradas se encontram na Rússia depois da queda do comunismo:

– Tudo o que nos disseram sobre o comunismo, afinal, era mentira! – disse o primeiro.

– Sim. Mas o pior é que tudo o que nos disseram sobre o capitalismo, afinal, era verdade! – retruca o segundo.

Com humor sutil (e uma bela trilha sonora), o filme retrata o cotidiano de um grupo de amigos desempregados que se encontram num bar todos os dias para compartilhar suas pequenas tragédias. Santa (Javier Bardem:Mar Adentro‘),o personagem que sustenta o filme, resume bem a falência do idealismo socialista – o fracasso vivo do humanismo que continua forte. No bar, conversas bem humoradas, outras tensas, desânimos, amizade… conversas que refletem os medos e o que há de infantil em cada homem. Ali o filme revela em de seus aspectos mais especiais: o efeito idiossincrático da situação social e existencial de cada um. O desemprego acaba por afetar todos os aspectos da vida, gerando sucessivos dramas. Mas sempre o humor, e por vezes o silêncio.

O silêncio no bar, o orgulho de Santa, e sua força. O desespero mudo de Amador. O esforço conscientemente inútil de Lino. Uma atmosfera niilista no bar… mas eles estão vivos, e ainda sorriem quando passam mais uma segunda-feira ao sol.

Meus Caros Amigos

(Amici Miei)

Meus Caros Amigos
é inesquecível. E, graças à genialidade do diretor Mario Monicelli, lançou as bases para a nova comédia italiana. Inteligente, irreverente, surpreendente e, sobretudo, engraçadíssimo, mostra o cotidiano de velhos amigos de escola que, apesar de cinqüentões e estabelecidos na vida, ainda se encontram para pregar peças e passar trotes em quem se atrever a ficar no caminho deles.
Assim, a memória do jornalista e narrador Giorgio Perozzi (Philippe Noiret) vai mostrando, em pequenas crônicas, histórias do grupo, que ainda conta com os amigos Lello Mascetti (Ugo Tognazzi), um conde falido, o arquiteto Rambaldo Melandri (Gastone Moschin) e Necchi (Duílio Del Prete). Entre uma pegadinha e outra, Perozzi relembra, inclusive, como o Doutor Sassaroli passou a fazer parte do grupo, dando origem a um quinteto pra lá de irreverente. Prepare-se: você vai morrer de rir.

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